Janas

Inserida na Freguesia de S. Martinho no Concelho de Sintra, Distrito de Lisboa, a pequena aldeia de Janas com cerca de 1000 habitantes, tem uma longa história ligada à natureza no que diz respeito à sua actividade sócio-cultural e económica. Para entendermos a sua origem fazemos referência ao culto de Diana, divindade romana da caça e da lua, ligada às florestas e à protecção dos animais.

Habitualmente este ritual pagão, era realizado em templos com disposição circular, idêntico à estrutura do mais conhecido e raro monumento desta população e arredores. A capela de S.Mamede construída no séc. XVI-XVII, foi erguida no mesmo local onde era adorada a deusa. Hoje em dia, existem celebrações de carácter religioso que dão continuidade ao passado, estabelecendo ligação com as festas populares realizadas em Agosto. Com a ajuda das investigações arqueológicas realizadas no local da Ermida, conclui-se que existe uma forte relação entre as romarias e as suas origens ancestrais ligadas a Diana ainda antes da presença dos romanos. Vindos de regiões próximas, outrora de Cascais a Torres Vedras, lavradores com os seus animais de lavoura dão três voltas ao monumento em sentido contrário dos ponteiros do relógio e como manda a tradição, depositam oferendas (trigo, azeite, cevada, etc..) à volta da imagem do santo protector dos seus animais, de forma a receberem umas fitas coloridas que os adornarão e protegerão durante o ano.

A origem etimológica de Janas poderá remontar a Janus, cujas construções romanas a si relacionadas seriam igualmente de planta circular, e portanto também dedicadas a Diana (com forma intermédia em Jana e/ou Iana). No séc. XIX, Visconde de Juromenha considerou a possibilidade de existência no mesmo local de um templo dedicado a Janos. Este deus romano era caracterizado visualmente por duas faces, que representavam o passado e o futuro, e portanto simbolizavam a mudança, as transições, tendo também dado origem à palavra Janeiro. Não menos importante e a não desconsiderar é a hipótese de que “Janos” poderia ter origem também em Apollo (deus da luz e do Sol) em conjunto com a sua irmã gémea, Diana.

Janos, do latim, “luz, dia”, guardião das portas, remete-nos para uma salvaguarda que apresenta as características da idade do ouro, a paz e a abundância. Foi também o inventor do cultivo do solo.

A principal actividade económica e cultural da população de Janas sempre esteve essencialmente ligada ao sector primário agrícola, embora nas últimas décadas tivesse assistido a um considerável crescimento do sector terciário, sustentado pelo turismo, sobretudo pelas visitas dos lisboetas que escolhem esta periferia rural como destino para realizarem as suas férias. O envelhecimento, o isolamento e a falta de natalidade e de emprego são grandes preocupações que afectam a realidade da aldeia, cada vez mais sem resposta alternativa, devido à grande emigração originada pela crise actual. Porém, nestes últimos anos denotam-se alguns movimentos de jovens, de outros locais do País e estrangeiros, que optam por terem uma vida mais saudável e sustentável, procurando encontrar neste local uma relação mais próxima com a natureza. A necessidade de aprender a trabalhar com uma maior consciência social e cultural e conhecimento técnico-científico com o que a Terra tem para nos dar, evidencia-se com a necessidade de sobrevivência não só económica, mas também emocional. Nesta diversidade multicultural encontramos um belo campo fértil para que nasçam soluções emergentes. Encontramo-nos, portanto, numa época de transições, acreditando num futuro que considera os ensinamentos do passado e que parte de iniciativas que se realizam em presentes que constroem esperanças.

http://www.icnf.pt/portal/icnf

 

Referências Bibliográficas

  • http://amateriadotempo.blogspot.pt/2014/04/a-capela-circular-de-janas.html
  • Cintra Pituresca” _ Visconde de Juromenha (Séc.XIX)
  • Dicionário Breve de Mitologia Grega e Romana – Silvério Benedito, Editorial Presença.

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